
2008 - Protesto alerta para trabalho precário na Brigada Militar
Cartazes colados em paradas de ônibus, muros e em paredes de prédios militares em Porto Alegre (RS) chamam a atenção para a falta de condições de trabalho na Brigada Militar. Os cartazes são assinados pela "Família Brigadiana" e trazem dados alarmantes de mortes de policiais e, inclusive, de suicídios entre funcionários da corporação. As estatísticas divulgadas no manifesto são da Associação dos Servidores de Nível Médio da Brigada Militar (ABAMF) e apontam que o número de mortes de policiais, que em 2001 foi 11, quadruplicou em seis anos, alcançando o registro de 47 mortes no ano passado. A média foi de um assassinato por semana.
Outro dado alarmante é o número de suicídios entre os policiais. Desde 2005 até agosto deste ano já são 17 casos. O presidente da ABAMF, Leonel Lucas Lima, desconhece o grupo que fez os cartazes, mas confirma os dados. Ele avalia que o principal motivo das mortes é a falta de condições de trabalho na Brigada Militar aliada ao baixo salário, considerado o pior do país. No caso dos suicídios, Lima reclama também da falta de acompanhamento psicológico na corporação.
"A grande maioria [dos casos de suicídios], em que depois fomos visitar os familiares, as esposas disseram que o problema era o salário e que começou a faltar tudo, a dar problema familiar. Os brigadianos se mataram por causa disso aí. Ele também não tem um acompanhamento psicológico, há um abandono", reclama.
A média salarial das polícias militares no Brasil gira em torno de R$ 1,8 mil. No Rio Grande do Sul, o salário de um brigadiano em início de carreira é de R$ 823, 72. O maior do país está registrado em Brasília, R$ 3.368,01. Fator que segundo Lima, deixa os brigadianos em situações até mesmo de risco.
"A grande maioria dos policiais vive de aluguel ou quando tem uma casa mora dentro de uma favela, do lado dos criminosos", diz.
Até agosto deste ano, a associação já havia contabilizado 13 policiais mortos. Destes, quatro foram suicídios. Segundo a ABAMF, as mortes ocorrem em maior parte em Porto Alegre, região metropolitana e região de Caxias do Sul, na Serra, locais em que o índice de criminalidade e, conseqüentemente a pressão no trabalho são maiores.
As associações ligadas aos brigadianos já estão em negociação com o governo estadual, mas Lima diz que a proposta é insatisfatória. Mobilizações estão sendo organizadas em conjunto com a Polícia Civil gaúcha para os próximos dias.
Foto: Cartaz colado na parada de ônibus na rua Praia de Belas, bairro Menino Deus, em Porto Alegre (RS).
Crédito: Pedro Martins
2011 - Abamf alerta para estresse de PMs
Mais um caso de uma policial militar morta, desta vez em Guaíba, preocupa o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas. Ele revelou que oito ocorrências desse tipo, envolvendo integrantes dacorporação, já foram registradas desde novembro de 2010.
Na madrugada de ontem, o corpo da policial militar de 20 anos, que atuava na Comunicação Social do 19 BPM, de Porto Alegre, foi encontrado em sua casa, por volta das 3h. Na Capital, os colegas ficaram chocados com a notícia.
Em entrevista à Rádio Guaíba, o presidente da Abamf destacou que a PM de São Paulo é um bom exemplo de atenção a seus agentes, pois oferece convênio com psicólogo e assistente social. Esse será o segundo caso de PM feminina morta em menos de um mês. Recentemente, Luana Lemes, de Passo Fundo, foi encontrada sem vida após 15 dias desaparecida.
Correio do Povo