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PAULO ROGERIO NASCIMENTO DA SILVA
Archimedes Marques
Seg. Pública

Artigos
Postado em: 27/11/2011 às 23h12
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A Polícia que eu confio

Oscar Bessi Filho
A Polícia que eu confio

Acordo cedo. Gosto da cumplicidade reconfortante do quase silêncio para escrever. Da cabeça ainda leve. Dos passarinhos eufóricos, das crianças indo para a escola, a Rádio Guaíba me preparando para retornar à vida real. Os pais em fila dupla buzinando - moro perto de dois grandes colégios -, impacientes e transgressores, eu ignoro. E, antes de escrever, leio. Meu dia começa com o Juremir, aí percorro o Correio do Povo inteirinho, até o futebol. Isso me faz bem. Agora, na edição de quinta, o tal Anuário Brasileiro de Segurança Pública me deu uma rasteira. Quase me queimei com o café.

Fui atrás do documento. É que me espanta isso de 65% dos gaúchos não confiarem nas suas polícias. Aliás, discordo. Pois quase 100% dos meus leitores, que me escrevem de todos os recantos do Rio Grande, parecem pensar diferente. Bradam por segurança e uma Polícia forte, aplaudindo Brigada Militar e Polícia Civil quando suas ações tiram, de circulação, traficantes e bandidos de toda ordem. Todos os dias. Estranho que, à primeira necessidade de socorro, qualquer um ainda lembre imediatamente do 190. Antes até de chamar a mãe. Que cidades do Interior, com um policial apenas, civil ou militar, confiem totalmente neles. Então, fui ler o anuário.

De fato, é um documento interessante. Um pouco teórico e distante da realidade ao não contemplar, em seus textos, a pluralidade que este país merece ao ser avaliado. Mas traz a percepção de mais de 70% de que a Justiça Criminal não é nada severa. E que há muita impunidade no país por culpa das leis penais, ou que as penas alternativas estimulam essa impunidade. Agora, ao questionar o entrevistado para saber por que não procurou a Polícia, após ser vítima de um crime, não encontrei essa descrença no sistema penal como um todo. O famoso "chamar vocês pra quê, se não vai dar em nada?", que tanto ouvimos em desabafos, nos encontros de Polícia comunitária.

O anuário omite que a população brasileira não confia é nos seus legisladores quando falam de segurança. Nos seus gerentes de poder público, que jogam para o colo da Polícia a antipatia do sistema falido que eles mesmos fomentam. Quantos não confiam nos seus políticos? Muito mais de 65%. A segurança está na base da hierarquia das necessidades da famosa pirâmide de Maslow. Mas, em investimentos, não ocorre o mesmo. Está lá na ponta diminuta, espremida em parcos índices, pelos mesmos gestores de um estado que nasceu justamente para atender seu povo. Só que os escolhidos por este povo, para atender a essas necessidades, parecem dar de ombros às polícias e aos policiais. A não ser na hora de culpar. Ou pedir socorro. Então, me desculpem. Mas a falta de confiança está bem mais acima.

Oscar Bessi Filho | bessi@bm.rs.gov.br

 

Correio do Povo



 
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