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PAULO ROGERIO NASCIMENTO DA SILVA
Archimedes Marques
Seg. Pública

Artigos
Postado em: 03/12/2011 às 22h48
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Oscar Bessi Filho

Quanto mais leio alguns juristas, mais fico nervoso. Eu disse alguns. É que a vida teórica é tão distante da vida prática, e de forma tão gritante, que não é preciso muito esforço para diagnosticar certos absurdos ditos por aí. Pior: transformados em leis ou decisões. Emolduradas asneiras. Como diz um amigo meu, líder comunitário de periferia, "diploma é bonito, ensina os caminhos, mas o cara tem que, pelo menos, saber como se enfia o pé num esgoto a céu aberto e o quanto dói uma bicheira". Claro, nos limites da metáfora. Mas que muitos desconhecem as mil faces dos problemas que ousam resolver com receitas mágicas, ah, e como.

Nem vou falar de teóricos bem pagos pelo crime organizado - e não pensem nos líderes pobretões de pouco cérebro, armados numa favela do Rio, mas, sim, em senhores muito bem colocados e com a engrenagem das coisas sob seu controle. Tampouco vou citar os oportunistas, que fazem do sofrimento da periferia seu picadeiro ou a sua fonte de verbas públicas fáceis de embolsar. Falo da cultura dos equívocos. O pior câncer. Ela cria gerações de desinformados que se moldam num costume de ludibriar ao natural, achando que é apenas parte da sua sobrevivência.

Nos últimos cinco dias, participei de duas ações conjuntas com a Polícia Civil no Caí. Prendemos traficantes nas duas. Numa delas, uma senhora comentou: "Graças a Deus, vai ganhar a bolsa preso". Que é maior que o salário mínimo dela. E ela sabe como fazer, para ganhar. Está acostumada. Sua família toda sabe. Suas vizinhas sabem. Como sabem que ganham bem mais do que muitos professores por aí.

Talvez não seja bem esse o objetivo. Mas o auxílio, criado pelo governo federal lá nos anos 60 e que perdura até hoje, teve seu investimento mais que dobrado nos últimos quatro anos e gera a defesa ardorosa de vários juristas. Porém, revolta o operário. O professor. O policial. A família de uma vítima de assalto que não ganha qualquer amparo do estado e tem que se virar como pode, com a dor e com os prejuízos. Se a situação é caótica, pois não se admite mais um país onde se mata violentamente todos os dias, onde a impunidade é regra e a descrença na Justiça impera, no mínimo há que se rever posições. De olhar com critério e olhos de povo - afinal, sempre repito, é o povo que paga tudo isso com o seu suor, inclusive o ar-condicionado desses teóricos - e tomar algumas atitudes severas para salvar este país. Educação forte, Polícia forte, severidade penal. E fim de certas mamatas que estimulam a bandidagem de todos os níveis. Ora. Como está, não deu certo. E morre gente todo dia para provar isso. Até quando?

bessi@bm.rs.gov.br
 

Correio do Povo



 
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