
Dezenas de colegas, familiares e amigos compareceram ao sepultamento, em Cachoeirinha, do sargento Ariel da Silva, morto nessa quarta-feira por policiais civis do Paraná, em Gravataí, na região Metropolitana. Uma guarda de honra formada por sete integrantes do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM), onde o sargento atuava, fez três salvas – totalizando 21 tiros. Sirenes de viaturas levadas ao Cemitério Memorial Parque da Colina foram soadas em homenagem ao policial. O governador Tarso Genro foi a Cachoeirinha prestar homenagem ao policial morto.
Tarso convocou uma reunião de emergência com o secretário de Segurança, Airton Michels, e o chefe da Polícia Civil do Estado, Ranolfo Vieira Júnior, para tratar da sucessão de erros que culminou na morte de duas pessoas. O governador quer a "apuração total dos fatos".
O comandante do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Dirceu Lopes,Airton Michels destacou o comportamento "excepcional" de Ariel da Silva e declarou não acreditar na versão dos policiais civis pelas evidências do local. "Até por verificarmos que uma pessoa numa moto, com as mãos ocupadas, sendo destro, dificilmente teria a possibilidade de fazer essa abordagem", contestou.
Os três policiais paranaenses suspeitos de matar o sargento estão presos à disposição do Ministério Público. A perícia tenta identificar quem atirou primeiro e em que circunstâncias ocorreram os disparos.
Entenda o caso
O 1º sargento do serviço de inteligência da Brigada Militar Ariel da Silva foi atingido por cinco disparos de fuzil por volta da 1h30min dessa quarta-feira, em Gravataí. A versão apresentada pelos policiais paranaenses é de que o policial militar (PM) atirou contra eles em uma abordagem e ocorreu então o revide com tiroteio. O coronel Silanus Mello, responsável pelo Comando de Policiamento Metropolitano da Brigada Militar, não acredita na hipótese de o PM ter decidido abordar, de moto, um carro com três ocupantes. Ariel da Silva estava à paisana, de folga e voltava da casa do pai. "O sargento estava caído, ainda com vida, ao lado da moto e da sua pistola. Estava distante cerca de sete metros atrás do Logan", disse.
Ainda ontem, um homem morreu em ação conjunta da Polícia Civil do Paraná e polícias Civil e Militar do Estado. Agentes invadiram o cativeiro onde eram mantidos dois empresários reféns – um sobrado amarelo na rua Doutor Luiz Bastos do Prado, atrás da Câmara de Vereadores de Gravataí. As circunstâncias da morte de Lírio Perscht, de 50 anos, não estão claras. A vítima foi baleada durante um tiroteio no cativeiro em que era mantida.
O policial militar atuava há 21 anos na Brigada Militar. Natural de Porto Alegre, o sargento deixa mulher e uma filha de 16 anos.
Fonte: Correio do Povo