
Terminou às 10h30min desta quarta-feira uma reunião na Casa Civil entre o secretário-chefe, Carlos Pestana, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, e chefe de Polícia Civil no Estado, Ranolfo Vieira Júnior. Eles deram os últimos retoques na proposta salarial que será enviada às Associação dos Delegados de Polícia (Asdep) no meio desta tarde.
A proposta governamental é basicamente um cronograma de equiparação salarial dos delegados aos procuradores do Estado. São definidos prazos e índices de aumento.
O projeto deverá ser levado à assembleia da associação que acontecerá às 19h. Segundo o delegado Luiz Heitor França, secretário da Asdep, deverão estar presentes representantes dos 29 núcleos que representam os 560 delegados na ativa e os 330 inativos.
Governo sugere cronograma para equiparar salário ao de procuradores
O governo do Estado apresenta hoje pela manhã sua proposta final de reajuste salarial para os delegados de Polícia. O documento vai estabelecer um cronograma com o objetivo de atender a reivindicação da categoria, de equiparar o salário inicial dos delegados, que hoje está na faixa dos R$ 7 mil, ao de procuradores do Estado, que atualmente gira em torno de R$ 16 mil.
São grandes as chances de que a apresentação formal da proposta do governo provoque novos tensionamentos entre o Executivo gaúcho e as categorias de servidores que integram a área da segurança pública. Várias dessas categorias prometem protestar e reivindicar equiparação. O próprio governo espera pelas reações, que devem vir principalmente dos oficiais da Brigada Militar e dos agentes policiais. "Já conversamos com várias categorias. É preciso explicar a proposta feita aos delegados, porque ela é mais complexa", resumiu o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, ontem à tarde, após reunião com o presidente da Associação dos Delegados de Polícia, Wilson Müller.
O governo, representado também pelo secretário da Segurança Pública, Airton Michels, chegou com uma proposta pronta à reunião e esperava bater o martelo sobre o assunto ontem mesmo. De acordo com a proposta, a equiparação seria alcançada em 2018, ou seja, em um prazo de sete anos. A solicitação da associação dos delegados é de que a equiparação seja completada em cinco anos.
Ao final da reunião, Pestana não confirmou os prazos e valores da proposta do governo, assinalando que eles serão detalhados hoje. Ele admitiu apenas que a proposta "inclui um ganho salarial muito significativo e um ganho real bem expressivo."
Categoria teme protestos de colegas
Depois da reunião entre o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, e o presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Asdep), Wilson Müller, que durou pouco mais de uma hora, tanto o governo quanto os delegados se movimentaram. Pestana, que saiu do encontro informando que tentaria fazer os ajustes necessários à proposta até a manhã de hoje, para encerrar a questão, reuniu-se imediatamente com o secretário da Fazenda, Odir Tonollier. Müller dirigiu-se à sede da Asdep, na Azenha, e reuniu-se com integrantes da categoria.
Os delegados avaliaram as consequências, junto aos outros servidores da segurança, de verem sua reivindicação atendida pelo governo. Eles receiam que os colegas protestem e façam manifestações não só contra o governo, mas também contra os próprios delegados.
O governo faz os últimos ajustes na proposta e já avisou que não tem mais gordura para queimar. "Acredito que a negociação está perto do fim, até porque estamos próximos do limite", disse Pestana. Com o movimento, o Executivo não apenas quer colocar fim a tratativas que se estendem por meses, mas evitar que a assembleia da categoria, marcada para o final da tarde de hoje, implemente as medidas aprovadas na assembleia realizada em novembro, entre elas o boicote à Operação Veraneio e a colocação de cargos de chefia à disposição.
Correio do Povo