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Após realizar a reconstituição do tiroteio que ocasionou a morte do sargento gaúcho, Ariel da Silva, o titular da Delegacia de Feitos Especiais, delegado Paulo Rogério Grillo, vai relatar à Justiça que os policiais civis paranaenses não são mais necessários para a investigação. A prisão preventiva do trio que pertence ao grupo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) do Paraná, responsável por investigar sequestros, encerra-se na quinta-feira.
O delegado pretende concluir o inquérito até o final do mês. No entanto, ele ainda não decidiu se vai indiciar ou não os policiais paranaenses. A perícia irá produzir um documento que será anexado ao inquérito. O material deve ser confrontado com as versões encontradas na perícia inicial e, a partir deste ponto, a Polícia Civil começa tomar decisões.
Grillo relatou que a submetralhadora calibre 40 foi usada cinco vezes pelos paranaenses. Quatro disparos atingiram o sargento. Da pistola calibre 40, que pertencia ao sargento da Brigada Militar, partiram dois disparos. Um dos tiros atingiu o veículo Renault Logan que os policiais civis utilizavam. Os cartuchos dos dois armamentos foram encontrados pela perícia no local.
Foram levado para o local o veículo utilizado pelos agentes do Paraná e a motocicleta utilizada pelo policial militar (PM). O vidro traseiro do carro, que foi atingido por disparos realizados pelos civis, continuava quebrado. Em um primeiro momento, foi analisada a distância entre os veículos.
Em seguida, os policiais do Paraná foram levados até o local, separadamente, para dar suas versões. Além do trio, outras seis testemunhas foram ouvidas durante os trabalhos: um casal que estava numa residência atingida por um disparo; outro casal que passava de carro pelo local; um taxista que estava estacionado a cerca de 15 metros do local, mas dormia na hora do tiroteio; e o vigia de um posto de combustíveis localizado nas proximidades. De acordo com o delegado Grillo, o testemunho mais significativo é o do taxista.
Como resultados preliminares dos trabalhos, o delegado Grillo relatou que um dos tiros realizados pelo sargento foi de baixo para cima. Os peritos supõem que foi disparado quando o PM estava caído. Conforme o titular da investigação, o oficial da BM tinha saído de um jantar em uma madeireira próxima e passado em casa para deixar comida para a esposa. Na volta, suspeitou do veículo, com placas do Paraná, e fez a abordagem. Grillo não se pronunciou sobre a ação – se correta ou não. O delegado confirmou que o policial tinha 13,1 decigramas de álcool por litro de sangue no corpo. Para dirigir, o máximo tolerado por lei é o consumo de 2 decigramas. A partir de 6 decigramas, o condutor responde a um processo passível de suspensão do direito de dirigir e a um inquérito policial por embriaguez, podendo ser preso.
O delegado também esclareceu que a falta de resíduo de pólvora na mão do PM não coloca em dúvida a versão dos policiais paranaenses. Outro ponto polêmico foi esclarecido pela família do sargento: Ariel era canhoto. No entanto, o delegado afirmou que o sargento atirou com a mão direita.
Grillo confirmou que não convidou a Brigada Militar para acompanhar a operação. De acordo com o delegado, a decisão foi tomada para evitar constrangimentos. No entanto, o comandante interno do Comando de Policiamento Metropolitano, tenente-coronel Florivaldo Pereira Damasceno, compareceu ao local. O comandante disse que o trabalho de auxílio foi realizado como em todos deste tipo.
Cerca de 60 agentes, entre policiais e peritos, acompanharam os trabalhos que começaram por volta das 23h15min desta terça-feira e terminaram na madrugada desta quarta-feira no bairro Morada do Vale II, em Gravataí, Região Metropolitana. A ERS 020 chegou a ser bloqueada para a realização da reconstituição.
Sargento da BM foi morto a tiros
O 1º sargento do serviço de inteligência da Brigada Militar Ariel da Silva foi atingido por cinco disparos de fuzil por volta da 1h30min do dia 21 de dezembro, em Gravataí. A versão apresentada pelos policiais paranaenses é de que o policial militar (PM) atirou contra eles em uma abordagem e ocorreu então o revide com tiroteio. O coronel Silanus Mello, responsável pelo Comando de Policiamento Metropolitano da Brigada Militar, não acredita na hipótese de o PM ter decidido abordar, de moto, um carro com três ocupantes.
Ariel da Silva estava à paisana, de folga e voltava da casa do pai. "O sargento estava caído, ainda com vida, ao lado da moto e da sua pistola. Estava distante cerca de sete metros atrás do Logan", disse. A vítima atuava há 21 anos na Brigada Militar.
Na tarde do mesmo dia, o empresário Lírio Perscht, 50 anos, morreu em ação conjunta da Polícia Civil do Paraná e polícias Civil e Militar do Estado. Agentes invadiram o cativeiro onde eram mantidos reféns Perscht e outro empresário – um sobrado amarelo na rua Doutor Luiz Bastos do Prado, atrás da Câmara de Vereadores de Gravataí.
Ao fim da ação de resgate, três pessoas foram presas – todas com antecedentes por extorsão mediante sequestro. Os policiais envolvidos na morte do sargento da BM foram detidos, em Curitiba, após a Justiça decretar pedido de prisão temporária.
Ouça o áudio: Grillo diz que investigação vai considerar que sargento havia bebido
Ouça o áudio: Tenente afirma que não houve constrangimento
Fonte: Correio do Povo e Rádio Guaíba