
Governador sinalizou com calendário de reajuste para categoria
O governador Tarso Genro afirmou que irá apresentar uma proposta de calendário de reajuste para os policiais civis do Estado. Ele pediu, no entanto, que a categoria tenha calma e "não perca a cabeça", fazendo referência à situação na Bahia, onde os agentes deflagraram greve há oito dias. As declarações foram dadas na manhã desta terça-feira, depois de Tarso participar da aula inaugural para a formação de novos policiais civis, realizada no Palácio da Polícia, em Porto Alegre.
Tarso recomendou aos agentes que pensem bem antes de iniciar uma greve; pois, segundo ele, entrar unido é fácil, mas sair com vitória é mais difícil. "É preciso saber dar um passo concreto para obter vitória e não desperdiçar vitórias em cima de propostas que todos sabem que são inatingíveis", decretou. O governador também anunciou que cerca de 300 candidatos aprovados no concurso para seleção de escrivães e inspetores da Polícia Civil – que não haviam sido chamados por falta de vaga – serão convocados.
O presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil gaúcha (Ugeirm-Sindicato), Isaac Ortiz, disse que não é prática do sindicato queimar pneus e fazer ameaça de bomba – numa referência aos protestos dos policiais militares no Estado. Ele ressaltou, porém, o direito de fazer pressão com as possibilidades que a categoria tem.
O secretário de Segurança do Estado, Airton Michels, contou que já há um calendário definido e que as negociações estão andando. Ele acredita que, até o final do mês, seja possível fazer um acordo com os policiais civis gaúchos. Michels afirmou que o governo deseja diminuir as distâncias salariais, mas não é possível falar em verticalidade formal, pois têm que ser levadas em conta as possibilidades reais.
A expectativa é de que a proposta seja apresentada com o retorno do chefe da Casa Civil, Carlos Pestana Neto, que volta de férias dia 23. Caso a categoria não aceite o acordo, há possibilidade de que a assembleia geral, marcada para 7 de março, resulte em greve.
Os policiais querem a mesma tabela oferecida aos delegados, com os mesmos prazos, a fim de equiparar o abismo salarial de 300% entre o agente em início de carreira e um delegado de primeira classe. Ortiz salientou que as exigências dos delegados foram atendidas plenamente e que, portanto, as dos policiais também devem ser, já que trabalham mais e ganham menos.
Nesta terça-feira, os agentes iniciaram operação-padrão em todas as delegacias do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) no Estado, a fim de pressionar o cumprimento das demandas.
Ouça o áudio: Tarso pede que a categoria tenha calma e não perca a cabeça
Ouça o áudio: O secretário de Segurança disse que já há um calendário definido
Policiais civis do RS anunciam operação-padrão nas delegacias do Deic
O Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil gaúcha (Ugeirm-Sindicato) anunciou, na noite desta segunda-feira, o início de uma operação-padrão, a partir desta terça-feira, em todas as delegacias do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) no Estado. Segundo a entidade, cerca de 100 agentes participaram de uma assembleia da categoria que definiu uma série de boicotes e outras medidas de protesto ao último reajuste salarial oferecido pelo governo gaúcho.“Tomara que não se precise chegar ao clima de Salvador. Mas se o governo seguir adotando a mesma postura, o clima será o da Bahia”, afirmou o presidente da entidade sindical, Isaac Ortiz. O sindicato projeta que, inicialmente, a operação-padrão deva ter adesão parcial.
Com a mobilização denominada pela categoria de “Operação Cumpra-se a Lei”, policiais prometem deixar de trabalhar com equipes volantes depois das 18h, horário no qual, de acordo com o Ugeirm-Sindicato, os agentes não vêm sendo pagos. A meta também é impedir o uso de viaturas e celulares com falhas, além de não executar serviços de competência de delegados – que hoje são exercidos por agentes, devido à sobrecarga de trabalho: flagrantes, relatórios de inquérios e depoimentos. “Com a nossa mobilização será quebrada a espinha-dorsal do combate ao crime organizado”, projetou Ortiz.
O governo propõe que, em 2018, um agente com nível superior passe a receber R$ 3,7 mil, contra um salário projetado de R$ 18 mil para um delegado, o que, no entendimento da categoria, é um abismo consolidado por uma diferença de quase R$ 15 mil. Até o fim de fevereiro, uma nova audiência com os agentes ocorre no Palácio Piratini. A categoria, porém, já agendou assembleia para sete de março, com o objetivo de deliberar sobre uma greve.
De acordo com o Ugeirm-Sindicato, a mesma mobilização que agora ocorre no Deic, já atinge, desde o início do ano, algumas delegacias do interior. “Estamos mobilizando nossas bases para elevar a adesão. Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) também se reunirão em assembleia para definir uma operação ‘Cumpra-se a Lei’”, explicou o dirigente sindical.
Na semana passada, o chefe de Polícia do Estado, Ranolfo Vieira Júnior, amenizou as ameaças da categoria e afirmou que é impossível boicotar as operações do Deic e Denarc. “É dever constitucional do servidor público cumprir com as tarefas na corporação”.
Fonte: Estevão Pires/Rádio Guaíba
Fonte: Samuel Vettori / Rádio Guaíba