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Visão panorâmica e capacidade superior de deslocamento. Assim o Batalhão de Aviação da Brigada Militar serve ao trabalho de segurança pública no Litoral Norte gaúcho. A base está situada em Capão da Canoa, local considerado estratégico para a atividade. No sábado, uma aeronave Cesna Centurion decolou de lá para um sobrevoo pelas rodovias com a finalidade de controlar e orientar o enorme fluxo do trânsito rodoviário de quem passou o feriado de Carnaval nas praias. O comandante do patrulhamento foi o major Luiz Henrique Genro, piloto militar desde 2006. Ele conta que o Batalhão possui helicópteros e aviões. Os helicópteros podem sobrevoar a orla e lançar salva-vidas em alto-mar para resgate de pessoas arrastadas pela corrente marítima. Aviões são usados na identificação rápida de locais de ocorrências para salvamento, acidentes e até apoio contra crimes.
Além destas atribuições, o Cesna Centurion também pode transportar feridos para atendimento. O caso mais recente foi o do menino Gustavo Nunes Gomes de Souza, 5 anos, atacado por um cão na semana passada, que faleceu apesar dos esforços de toda a equipe da BM e de socorristas. "O percurso de Capão a Porto Alegre foi feito em 28 minutos", recorda Genro, ainda consternado pela tragédia. "Nós chamamos de missão de misericórdia. É quando não existem mais recursos, senão o deslocamento aéreo, mesmo que improvisado", explica. "No mesmo dia, levamos um idoso com embolia grave. Não deu tempo nem de descansar. Este senhor sobreviveu", comemora.
Ele afirma que o Centurion é capaz de voar a uma média de 170 nós, o que corresponde a cerca de 300 km/h. Já o helicóptero atinge uma velocidade de 90 nós, o equivalente a 160 km/h. Segundo Genro, o Batalhão de Aviação possui duas equipes, formadas por pilotos e militares treinados pelo Grupo de Busca e Salvamento (GBS). A sensação de estar em uma aeronave de pequeno porte sugere alguma insegurança, no entanto o voo é tranquilo e permite uma imagem quase indescritível das faixa litorânea. Genro acredita que o trabalho efetuado pelo Batalhão Ambiental pode ser considerado diferenciado das demais funções militares. "Exige atualização constante, aprimoramento e dedicação dos profissionais", descreve. Na atividade, conforme o major, não há margem para falhas. "O erro pode ser humano, da máquina, ou ocasionado pela condição climática. Temos que estar atentos e precavidos para todas estas eventualidades", garante o major Luiz Henrique Genro.
Entre as lembranças de apuros, Genro recorda que pilotou um pouso de emergência, em 2010, em Santa Maria. Houve falha no trem de pouso. A viagem, de Porto Alegre para Uruguaiana, foi interrompida. A aeronave desceu de barriga. Ninguém ficou ferido.
Correio do Povo